Seminário “Tem Aldeia na Política” reúne organizações e Povos Indígenas para diálogo sobre as eleições de 2026

Encontro promoveu formação, diálogo e reflexão sobre participação política indígena, direitos, territórios, representação e processo eleitoral

A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), em parceria com o Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e Ligação, realizaram, no dia 19 de setembro de 2026, o seminário “Tem Aldeia na Política – Povos Indígenas e Eleições 2026”. O encontro aconteceu no Auditório do Ensino Superior da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA), em Manaus, reunindo lideranças, estudantes, representantes de organizações e participantes de diferentes povos indígenas.

O seminário teve como objetivo promover um espaço de formação, diálogo e reflexão sobre a participação política dos Povos Indígenas, fortalecendo a organização coletiva, a autonomia e a capacidade de análise diante do processo eleitoral de 2026. As discussões tiveram como referência os direitos indígenas, a defesa dos territórios, os projetos de vida dos povos e o Bem Viver.

Formação política e fortalecimento da organização indígena

A programação teve início com uma acolhida e uma mística de abertura, com o tema “Nossa memória, nossa força, nossa política”, valorizando a memória, os territórios, os ancestrais e as lutas dos Povos Indígenas.

Na sequência, a abertura do seminário apresentou os objetivos da atividade e contextualizou a proposta da cartilha “Tem Aldeia na Política”, instrumento voltado à reflexão sobre a participação e a organização política dos Povos Indígenas.

Para Alva Rosa Tukano, do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), o debate sobre política precisa estar conectado à realidade das comunidades e aos processos de organização dos povos. E fala sobre a construção da cartilha que foi ponto de partida para realizar o evento.

“O Foreeia é apartidário, mas não é apolítico! É dessa compreensão que nasce a construção das cartilhas Tem aldeia na política, a participação social, o exercício da cidadania e o protagonismo dos povos indígenas nos espaços onde as decisões são tomadas.”

Painel 2 e 3 “Nossa política, nossa força: organização indígena e construção do Bem Viver”e “Nosso voto, nossas escolhas: representação indígena, direitos e eleições 2026”. Foto: Gustavo Serrão. 19 de setembro de 2026. Manaus (AM).

Enfrentamento à desinformação e participação eleitoral

Entre os principais momentos do encontro esteve a mesa sobre enfrentamento à desinformação no processo eleitoral, conduzida pelo secretário judicial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Eric Sales. A atividade abordou a importância da informação e do conhecimento para a participação no processo eleitoral.

A programação também contou com a mesa “Nossa política, nossa força: organização indígena e construção do Bem Viver”, que promoveu uma reflexão sobre o significado da política para os Povos Indígenas, os princípios da política indígena, os objetivos comuns e a importância da organização e da autonomia.

A pergunta “Onde está a nossa força política enquanto Povos Indígenas?” orientou parte das discussões e contribuiu para o debate sobre os espaços de decisão e as estratégias coletivas de participação.

“Onde fazemos política?”

Durante a roda de diálogo “Onde fazemos política?”, os participantes foram convidados a refletir sobre a presença da política nas comunidades, quem participa das decisões, quais são as principais lutas dos povos e o que deve ser defendido.

Coordenadora Geral da APIAM, Mariazinha Baré e Putira Sacuena, Secretária Adjunta da Sesai. Foto: Gustavo Serrão. 19 de setembro de 2026. Manaus (AM)

As contribuições foram sistematizadas a partir das experiências e realidades dos participantes, reforçando a importância de reconhecer os diferentes espaços de organização e decisão existentes nos territórios.

Mariazinha Baré, da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), destacou a importância da organização coletiva e da participação dos Povos Indígenas no debate político.

“Para nós, Povos Indígenas, a organização coletiva é fundamental para fortalecer a nossa voz e garantir que nossas demandas sejam ouvidas nos espaços de decisão. A participação política não começa apenas no período eleitoral; ela acontece diariamente nas nossas comunidades, nas organizações, nos movimentos e na luta pela defesa dos nossos territórios, dos nossos direitos e dos nossos modos de vida.”

Direitos indígenas, representação e eleições 2026

A programação também contou com a mesa “Nosso voto, nossas escolhas: representação indígena, direitos e eleições 2026”, que abordou a relação entre partidos políticos e interesses dos Povos Indígenas, além de temas relacionados aos direitos indígenas, à democracia e à participação nas eleições.

Entre os assuntos discutidos estiveram questões de interesse dos povos, como o Marco Temporal, projetos relacionados à exploração e à mineração em Terras Indígenas e a defesa dos territórios e direitos indígenas.

A atividade também propôs uma reflexão sobre os critérios que devem ser considerados na escolha de representantes políticos, valorizando aspectos como compromisso com os direitos indígenas, trajetória de luta, respeito às decisões coletivas, capacidade de articulação, defesa dos direitos, escuta e sensibilidade às demandas dos povos.

Painel: Enfrentamento à desinformação no processo eleitoral. Foto: Gustavo Serrão. 19 de setembro de 2026. Manaus (AM)

Na dinâmica “Quem queremos que nos represente?”, os participantes construíram coletivamente elementos que consideram importantes para uma representação política comprometida com as comunidades e com as pautas dos Povos Indígenas.

Voto como instrumento de participação

Na plenária “Nosso voto também é instrumento de luta”, os participantes dialogaram sobre os aspectos que devem ser observados durante o processo eleitoral e sobre como levar as discussões para as comunidades e organizações.

O encontro também contou com uma oficina de votação com simulação de urna eletrônica, realizada por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A atividade proporcionou aos participantes uma experiência prática com o funcionamento da urna eletrônica e o processo de votação.

Construção coletiva

O seminário “Tem aldeia na política” reafirmou a importância da organização coletiva, da participação política e da defesa dos territórios, direitos e projetos de vida dos Povos Indígenas.

A atividade foi organizada pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), pela Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e Ligação.

A iniciativa integra um processo de fortalecimento da formação política e da participação dos Povos Indígenas, estimulando o debate coletivo sobre os desafios e as possibilidades de atuação no cenário eleitoral e na defesa permanente dos direitos, territórios e modos de vida dos povos.

“Tem aldeia na política porque tem povo na luta.”

Leia mais

Trabalho análogo à escravidão ainda atinge milhares no Brasil e exige atenção nas comunidades indígenas

Apesar de avanços na legislação e na fiscalização, o Brasil ainda enfrenta uma realidade preocupante: milhares de pessoas continuam vivendo em condições de trabalho análogo à escravidão. Muitas delas sequer reconhecem que estão sendo exploradas, o que torna o problema ainda mais invisível e difícil de combater. Esse tipo de

Funai avança no reconhecimento da Terra Indígena Ararà no Território Wayamu

Publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da TI Ararà é um passo importante no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas do Baixo Jatapu Texto: Assessoria de comunicação Instituto Iepé A presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapixana assinou, nesta quarta-feira (25/3) o Relatório

APIAM abre Plantão de Projetos para apoiar lideranças e organizações indígenas na elaboração de iniciativas

A Gerência de Projetos da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) está lançando um Plantão de Projetos voltado para organizações indígenas, lideranças, jovens, comunicadores e coletivos que desejam desenvolver ou fortalecer iniciativas em seus territórios. Muitas vezes, existem boas ideias para fortalecer o território, a cultura, a