APIAM divulga nota de posicionamento político sobre as eleições de 2026 e reafirma compromisso com os direitos dos povos indígenas

A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) divulga Nota de Posicionamento Político referente ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, reafirmando seu compromisso com a defesa dos territórios indígenas, dos direitos constitucionais, da autonomia dos povos originários e da proteção da Amazônia. O documento destaca a importância do processo eleitoral para o futuro dos povos indígenas, considerando os impactos das decisões políticas sobre a demarcação e a proteção das terras indígenas, as políticas de saúde e educação escolar indígena, a preservação ambiental e a participação dos povos originários nos espaços de decisão. Na nota, a APIAM também manifesta preocupação com possíveis retrocessos nos direitos indígenas e reforça a necessidade de candidaturas comprometidas com as pautas históricas do movimento indígena, a valorização das culturas e línguas originárias e a garantia de políticas públicas específicas para as comunidades. Assinada pelas organizações que integram a Rede APIAM, a manifestação reafirma a importância da unidade, da mobilização e da participação consciente dos povos indígenas no processo democrático, fortalecendo a luta coletiva pela garantia de direitos, pela justiça socioambiental e pelo futuro das próximas gerações. “Defender os povos indígenas é defender a vida, a floresta e as próximas gerações.” Leia a nota completa clicando aqui.
Seminário “Tem Aldeia na Política” reúne organizações e Povos Indígenas para diálogo sobre as eleições de 2026

Encontro promoveu formação, diálogo e reflexão sobre participação política indígena, direitos, territórios, representação e processo eleitoral A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), em parceria com o Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e Ligação, realizaram, no dia 19 de setembro de 2026, o seminário “Tem Aldeia na Política – Povos Indígenas e Eleições 2026”. O encontro aconteceu no Auditório do Ensino Superior da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA), em Manaus, reunindo lideranças, estudantes, representantes de organizações e participantes de diferentes povos indígenas. O seminário teve como objetivo promover um espaço de formação, diálogo e reflexão sobre a participação política dos Povos Indígenas, fortalecendo a organização coletiva, a autonomia e a capacidade de análise diante do processo eleitoral de 2026. As discussões tiveram como referência os direitos indígenas, a defesa dos territórios, os projetos de vida dos povos e o Bem Viver. Formação política e fortalecimento da organização indígena A programação teve início com uma acolhida e uma mística de abertura, com o tema “Nossa memória, nossa força, nossa política”, valorizando a memória, os territórios, os ancestrais e as lutas dos Povos Indígenas. Na sequência, a abertura do seminário apresentou os objetivos da atividade e contextualizou a proposta da cartilha “Tem Aldeia na Política”, instrumento voltado à reflexão sobre a participação e a organização política dos Povos Indígenas. Para Alva Rosa Tukano, do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), o debate sobre política precisa estar conectado à realidade das comunidades e aos processos de organização dos povos. E fala sobre a construção da cartilha que foi ponto de partida para realizar o evento. “O Foreeia é apartidário, mas não é apolítico! É dessa compreensão que nasce a construção das cartilhas Tem aldeia na política, a participação social, o exercício da cidadania e o protagonismo dos povos indígenas nos espaços onde as decisões são tomadas.” Enfrentamento à desinformação e participação eleitoral Entre os principais momentos do encontro esteve a mesa sobre enfrentamento à desinformação no processo eleitoral, conduzida pelo secretário judicial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Eric Sales. A atividade abordou a importância da informação e do conhecimento para a participação no processo eleitoral. A programação também contou com a mesa “Nossa política, nossa força: organização indígena e construção do Bem Viver”, que promoveu uma reflexão sobre o significado da política para os Povos Indígenas, os princípios da política indígena, os objetivos comuns e a importância da organização e da autonomia. A pergunta “Onde está a nossa força política enquanto Povos Indígenas?” orientou parte das discussões e contribuiu para o debate sobre os espaços de decisão e as estratégias coletivas de participação. “Onde fazemos política?” Durante a roda de diálogo “Onde fazemos política?”, os participantes foram convidados a refletir sobre a presença da política nas comunidades, quem participa das decisões, quais são as principais lutas dos povos e o que deve ser defendido. As contribuições foram sistematizadas a partir das experiências e realidades dos participantes, reforçando a importância de reconhecer os diferentes espaços de organização e decisão existentes nos territórios. Mariazinha Baré, da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), destacou a importância da organização coletiva e da participação dos Povos Indígenas no debate político. “Para nós, Povos Indígenas, a organização coletiva é fundamental para fortalecer a nossa voz e garantir que nossas demandas sejam ouvidas nos espaços de decisão. A participação política não começa apenas no período eleitoral; ela acontece diariamente nas nossas comunidades, nas organizações, nos movimentos e na luta pela defesa dos nossos territórios, dos nossos direitos e dos nossos modos de vida.” Direitos indígenas, representação e eleições 2026 A programação também contou com a mesa “Nosso voto, nossas escolhas: representação indígena, direitos e eleições 2026”, que abordou a relação entre partidos políticos e interesses dos Povos Indígenas, além de temas relacionados aos direitos indígenas, à democracia e à participação nas eleições. Entre os assuntos discutidos estiveram questões de interesse dos povos, como o Marco Temporal, projetos relacionados à exploração e à mineração em Terras Indígenas e a defesa dos territórios e direitos indígenas. A atividade também propôs uma reflexão sobre os critérios que devem ser considerados na escolha de representantes políticos, valorizando aspectos como compromisso com os direitos indígenas, trajetória de luta, respeito às decisões coletivas, capacidade de articulação, defesa dos direitos, escuta e sensibilidade às demandas dos povos. Na dinâmica “Quem queremos que nos represente?”, os participantes construíram coletivamente elementos que consideram importantes para uma representação política comprometida com as comunidades e com as pautas dos Povos Indígenas. Voto como instrumento de participação Na plenária “Nosso voto também é instrumento de luta”, os participantes dialogaram sobre os aspectos que devem ser observados durante o processo eleitoral e sobre como levar as discussões para as comunidades e organizações. O encontro também contou com uma oficina de votação com simulação de urna eletrônica, realizada por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A atividade proporcionou aos participantes uma experiência prática com o funcionamento da urna eletrônica e o processo de votação. Construção coletiva O seminário “Tem aldeia na política” reafirmou a importância da organização coletiva, da participação política e da defesa dos territórios, direitos e projetos de vida dos Povos Indígenas. A atividade foi organizada pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), pela Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e Ligação. A iniciativa integra um processo de fortalecimento da formação política e da participação dos Povos Indígenas, estimulando o debate coletivo sobre os desafios e as possibilidades de atuação no cenário eleitoral e na defesa permanente dos direitos, territórios e modos de vida dos povos. “Tem aldeia
1º Encontro Estadual das Juventudes Indígenas do Amazonas fortalece organização, protagonismo e inicia a criação do Departamento de Juventude Indígena do Amazonas

Aconteceu em Manaus, na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Amazonas (Faexpe – UFAM), durante os dias 20 a 23 de julho, o 1º Encontro Estadual das Juventudes Indígenas do Amazonas, promovido pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) e organizações indígena do estado, como: Juventude Munduruku do Amazonas (Jumam), Rede de Estudantes Indígenas do Vale do Javari (Reivaja), Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – Makira E’ta, Coordenação das Organizações e Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime). Reunindo mais de 50 jovens, lideranças, comunicadores, pesquisadores e representantes das 17 sub-regiões indígenas do estado para fortalecer a organização das juventudes e construir estratégias em defesa dos territórios, dos direitos e do bem viver dos povos indígenas. O encontro consolidou um importante marco para o movimento indígena amazonense ao reafirmar o protagonismo das juventudes como sujeitos políticos fundamentais na construção do presente e do futuro dos povos indígenas. “A juventude tem um papel fundamental para impulsionar as pautas da APIAM e fortalecer a nossa organização em todo o estado. Precisamos garantir que nossos jovens estejam preparados para ocupar os espaços de decisão, defender seus territórios e dar continuidade à luta dos nossos povos, sempre respeitando os ensinamentos dos nossos ancestrais. ” – Mariazinha Baré, coordenadora-geral da APIAM Memória ancestral e fortalecimento das juventudes A programação teve início com um momento dedicado ao fortalecimento da memória, da identidade e da organização política das juventudes indígenas. Pela manhã, a Roda de Memória Ancestral reuniu Rosemeire Arapaço, vice-coordenadora da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – Makira E’ta, e Ismael Tariano, duas importantes lideranças históricas do movimento indígena, que compartilharam a trajetória de organização dos povos indígenas no Amazonas, na Amazônia e no Brasil. À tarde, o painel “Experiências exitosas das juventudes indígenas” reuniu Raquel Wapichana, do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Jucymeire Tariano, coordenadora do Departamento de Juventude Indígena do Rio Negro, e Ewerton Marubo, da Rede dos Estudantes Indígenas do Vale do Javari, que apresentaram iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação juvenil em seus territórios. Outro momento importante foi a construção do Mapa Vivo das Juventudes Indígenas do Amazonas, espaço que reuniu as realidades, desafios e propostas das 17 sub-regiões, fortalecendo a articulação entre as juventudes do estado. Entre as conquistas celebradas durante o encontro, foi anunciado que a Coordenação das Organizações e Povos Indígenas de Manaus e Entorno conquistou uma cadeira titular no Conselho Estadual da Juventude, representada por Felipe Baré, tendo Lauryane Kokama como suplente. “Pensamos este encontro de forma coletiva, ouvindo as diferentes realidades das juventudes das regiões do Amazonas. Os temas foram escolhidos porque refletem as principais demandas dos jovens indígenas hoje, como comunicação, formação política, educação, saúde, mudanças climáticas e participação nos espaços de decisão.” – Lucas Marubo, comissão de organização do encontro Comunicação, justiça climática e formação política O segundo dia foi dedicado ao fortalecimento das juventudes indígenas por meio da comunicação, da formação política e da incidência nos espaços de decisão. A oficina de Estratégias de Mobilização e Comunicação destacou o papel da comunicação indígena como ferramenta de resistência, mobilização social e defesa dos territórios. Comunicadores indígenas compartilharam experiências sobre produção de conteúdo, fortalecimento das redes do movimento indígena e atuação das juventudes na proteção da Amazônia. Na sequência, os debates abordaram os impactos da crise climática sobre os territórios indígenas e a importância da participação das juventudes na formulação de políticas públicas voltadas à justiça climática. A programação também promoveu a formação política “O Futuro é Ancestral”, discutindo direitos indígenas, organização coletiva, enfrentamento ao marco temporal e a ocupação dos espaços de decisão pelas juventudes. Encerrando o dia, a mesa “Aldear a Política” refletiu sobre representação indígena, autonomia dos povos, participação das mulheres e das juventudes e a construção de um projeto político fundamentado nos territórios. “Quando as juventudes se encontram, compartilham suas experiências e constroem propostas em conjunto, fortalecem não apenas suas organizações, mas também seus territórios. Esse espaço nos une e fortalece nossa caminhada coletiva. ” – Jucymeire Tariano Educação, universidade indígena e saúde O terceiro dia reuniu especialistas, pesquisadores e lideranças indígenas para discutir educação superior, políticas afirmativas e saúde indígena. A mesa “Políticas Afirmativas e Universidade Indígena: da reivindicação histórica à implementação”, conduzida por Gileandro Kaiowá, Seribi Tukano e Gersem Baniwa, com mediação de Izabel Munduruku, destacou os desafios para ampliar o acesso e a permanência dos povos indígenas no ensino superior, além da importância da criação da Universidade Indígena como um projeto construído pelos próprios povos. Durante a tarde, o painel “Saúde Indígena, Saúde Mental e Formação de Profissionais Indígenas” reuniu Erick Mura, Alícia Cacau Kokama, Jhonatan Muypurá e Hebert Baniwa para debater o fortalecimento da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, a valorização dos saberes tradicionais, a formação de profissionais indígenas e os desafios relacionados à saúde mental e à prevenção ao suicídio entre jovens indígenas. “Foi muito importante debater temas que fazem parte da realidade da juventude indígena. Precisamos discutir educação, saúde, participação política, comunicação e tantos outros assuntos que impactam diretamente a vida dos nossos jovens e o futuro dos nossos povos. ”– Dirley Mura Juventudes organizadas para o futuro O último dia foi marcado pela aprovação de instrumentos que consolidam a organização das juventudes indígenas dentro da APIAM. Entre os principais resultados estão a aprovação do Regimento Interno do Departamento das Juventudes, a pactuação do Plano de Atuação, a aprovação do Documento Político e da Carta Política, além da criação da Rede Estadual das Juventudes Indígenas do Amazonas e da eleição da representação do Departamento das Juventudes. As deliberações fortalecem a participação permanente das juventudes na estrutura organizativa da APIAM e reafirmam o compromisso com a defesa dos direitos indígenas, da autonomia dos povos e dos territórios tradicionais. “Este encontro é resultado de uma construção coletiva, feita com muito diálogo entre a APIAM, as organizações de base e as próprias juventudes. Ver tantos jovens se mobilizando, viajando de diferentes regiões e participando ativamente dos debates demonstra o compromisso desta geração com a defesa
APIAM participa da II Edição do Puxirum Acadêmico dos Estudantes Indígenas do Amazonas

A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) participou da II Edição do Puxirum Acadêmico dos Estudantes Indígenas do Amazonas, realizado pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), nos dias 10 e 11 de junho, na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. Com o tema “Política de Permanência e o protagonismo dos estudantes indígenas do Amazonas: horizontes entre indígenas e instituições”, o encontro reuniu lideranças indígenas, estudantes, pesquisadores e representantes institucionais para fortalecer o debate sobre permanência indígena nas universidades, políticas afirmativas e os caminhos construídos pelos povos indígenas dentro e fora dos espaços acadêmicos. A programação teve início no dia 10 de junho, na UFAM, com ritual de abertura e mesa institucional composta pelo MEIAM, APIAM, Forum de Educação e Saúde Indígena do Amazonas – Foreeia, Rede de Mulheres Indígenas do Amazonas – Makira’eta, Reitoria da UFAM, Colind e Tabihuni. Durante a abertura, foi realizada a leitura e entrega da Carta de Reivindicação para construção da moradia estudantil indígena da UFAM à Reitoria da universidade. O vice-coordenador da APIAM, Darcy Marubo, destacou a importância do fortalecimento do movimento estudantil indígena dentro das universidades e o papel estratégico da juventude indígena na defesa dos direitos coletivos. “Fortalecer o MEIAM é fortalecer os estudantes indígenas que hoje ocupam os espaços acadêmicos e constroem caminhos importantes para os nossos povos. A Universidade também precisa ser território indígena, de resistência, produção de conhecimento e garantia de direitos”, afirmou Darcy Marubo. Ao longo do encontro, os participantes debateram temas como protagonismo indígena nas universidades, políticas afirmativas, internacionalização da pesquisa, metodologias construídas a partir dos territórios e os desafios institucionais enfrentados pelos povos indígenas no ambiente acadêmico. No segundo dia de programação, realizado na UEA, as mesas abordaram os direitos indígenas e os desafios pela proteção e demarcação de terras diante da violência institucional, com destaque para o caso do povo Mura e os impactos socioambientais de empreendimentos em territórios indígenas. Também foram debatidos os processos de memória, afirmação e construção coletiva das políticas afirmativas nos espaços universitários. A coordenadora do MEIAM, Izabel Munduruku, ressaltou que o Puxirum Acadêmico é um espaço de construção coletiva e diálogo entre estudantes indígenas e instituições de ensino. “O Puxirum nasce da necessidade de debatermos dentro das universidades os desafios da permanência indígena, das políticas afirmativas e do reconhecimento das nossas identidades e saberes. É fundamental que esses debates estejam presentes nos espaços acadêmicos para garantir que os estudantes indígenas permaneçam e sejam protagonistas dessas transformações”, destacou Izabel Munduruku. O encontro reafirmou a importância da articulação entre movimento estudantil indígena, organizações indígenas e instituições de ensino na construção de políticas efetivas de permanência e valorização dos povos indígenas no Amazonas.
Trabalho análogo à escravidão ainda atinge milhares no Brasil e exige atenção nas comunidades indígenas

Apesar de avanços na legislação e na fiscalização, o Brasil ainda enfrenta uma realidade preocupante: milhares de pessoas continuam vivendo em condições de trabalho análogo à escravidão. Muitas delas sequer reconhecem que estão sendo exploradas, o que torna o problema ainda mais invisível e difícil de combater. Esse tipo de violação de direitos ocorre quando trabalhadores são submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes, servidão por dívida ou restrição de liberdade. Em diversas regiões do país, especialmente em áreas remotas, essas práticas persistem, atingindo com frequência populações vulneráveis, entre elas, povos indígenas. Nas terras indígenas, o problema pode assumir formas ainda mais complexas. A falta de acesso à informação, o isolamento geográfico e a ausência de canais seguros de denúncia contribuem para que casos permaneçam ocultos. Em muitos casos, trabalhadores são atraídos por promessas enganosas de emprego e acabam presos a condições abusivas, sem meios de sair da situação. Diante desse cenário, iniciativas de organizações indígenas têm se mostrado fundamentais para enfrentar o problema. A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) lançou um canal específico para receber denúncias de forma segura e acessível. A proposta é ampliar a visibilidade dos casos e garantir que vítimas e testemunhas possam relatar situações de exploração sem medo de retaliação. A APIAM disponibilizou um formulário online para coleta de informações, permitindo que denúncias sejam feitas de maneira confidencial. Além disso, também é possível enviar relatos detalhados por e-mail, facilitando o acesso para diferentes perfis de usuários. Formulário: https://forms.gle/EEMUA7zdAnnp3LSN8 E-mail: denuncia@apiamoficial.org Especialistas destacam que denunciar é um passo essencial para romper o ciclo de exploração. Ao tornar os casos visíveis, aumenta-se a possibilidade de atuação das autoridades competentes e de proteção às vítimas. Se você faz parte de um povo indígena, vive em território indígena ou conhece alguém que esteja enfrentando esse tipo de situação, é fundamental buscar ajuda e utilizar os canais disponíveis. O combate ao trabalho análogo à escravidão depende da conscientização coletiva e da coragem de denunciar. A erradicação desse problema exige esforço contínuo, políticas públicas eficazes e o fortalecimento das organizações que atuam na linha de frente. Enquanto houver pessoas vivendo sob essas condições, a luta por dignidade e justiça permanece urgente.
Funai avança no reconhecimento da Terra Indígena Ararà no Território Wayamu

Publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da TI Ararà é um passo importante no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas do Baixo Jatapu Texto: Assessoria de comunicação Instituto Iepé A presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapixana assinou, nesta quarta-feira (25/3) o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da TI Ararà, um passo importante no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas do Baixo Jatapu, no território Wayamu. O ato representa o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, dessa ocupação tradicional indígena contínua e marca o início de uma nova etapa no processo de demarcação. Localizada na região do Baixo rio Jatapu, nos municípios de Urucará, São Sebastião do Uatumã e Nhamundá, no Amazonas, com cerca de 727 mil hectares, o território compreendido pela TI Ararà é tradicionalmente ocupado pelos povos Okoymoyana, Xowyana e Kararayana, além de abrigar grupos indígenas isolados. Com mais de 700 mil hectares, essa é a última terra indígena ainda pendente de demarcação no Território Wayamu. “Digo para vocês, parentes, que essa etapa é a mais importante da regularização fundiária porque é a que reconhece os limites, a importância da terra e as áreas fundamentais para que as comunidades indígenas possam viver e proteger tanto o meio ambiente quanto a cultura e as próximas gerações”, afirmou Joênia Wapixana em seu discurso antes da assinatura e publicação do RCID. Além da TI Ararà, a Funai reconheceu na mesma ocasião outras duas terras indígenas. As três juntas somam mais de um milhão e meio de hectares. A assinatura do RCDI é um avanço no processo de reconhecimento desta Terra Indígena e representa um passo importante no reconhecimento dos direitos territoriais das comunidades indígenas da região, incluindo as aldeias Santa Maria e Nova Bacaba, cuja presença no território é contínua, ao longo de gerações. Esse processo é resultado da mobilização dos povos indígenas do território Wayamu, que mantêm uma relação histórica com a região e vêm se organizando coletivamente para garantir o reconhecimento de seus direitos. O processo de regularização fundiária da TI Ararà tem pela frente ainda mais três etapas: a portaria declaratória, pelo Ministro da Justiça, que formaliza o reconhecimento da terra indígena; a demarcação física, que consiste na colocação de marcos e placas delimitadoras; e a homologação presidencial, ato final que garante a posse definitiva da terra aos povos indígenas. PARCERIAS Ao longo dos últimos anos, esse processo foi fortalecido por diferentes parcerias. Entre 2012 e 2022, com apoio da Fundação Gordon and Betty Moore, foram desenvolvidos processos que contribuíram para estruturar a governança territorial na região, incluindo a construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental e do Protocolo de Consulta do território Wayamu. A partir de 2023, com apoio do Bezos Earth Fund e da Nia Tero, em parceria com o Iepé, essas estratégias passam a ser implementadas, fortalecendo as organizações indígenas e contribuindo para sustentar as condições necessárias para avanços concretos no reconhecimento territorial. “Quero agradecer à Funai de Brasília e à presidenta Joênia Wapixana pelo seu papel fundamental e pelo compromisso e por ajudar nosso povo Xowyana. Minha palavra é de agradecimento e de parabéns a todos nós pelo reconhecimento do nosso território, que há muitos anos é tão esperado. Quero agradecer também aos nossos parentes do Território Wayamu e aos nossos parceiros por esta ação conjunta, firme nessa luta”, comentou o presidente da Associação Aymara, organização indígena que representa o povo Xowyana, Benaias Waryeta. “ A união faz a diferença. A resposta somos nós!”, completou. “O reconhecimento da Terra Indígena Ararà integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas ao fortalecimento da governança territorial indígena no território Wayamu, considerado estratégico para a proteção da sociobiodiversidade da Amazônia”, afirma Denise Fajardo, coordenadora do Programa Tumucumaque-Wayamu, do Iepé. “A publicação do RCID pela Funai vai além do papel: ela afirma histórias, protege vidas e reconhece direitos. Em um território onde também existem povos indígenas isolados, cada avanço é um gesto concreto em defesa da autonomia, da autodeterminação e do direito de viver em paz”, afirma Nara Baré, Diretora da Nia Tero no Brasil. “A assinatura do RCID da Terra Indígena Ararà representa um avanço importante e uma homenagem à persistência dos povos indígenas de Wayamu”, completa Cristián Samper, Diretor-geral e Líder de Soluções para a Natureza no Bezos Earth Fund. “Isso ajuda a proteger uma parte insubstituível da Amazônia, ao mesmo tempo em que fortalece as comunidades que cuidam dela há gerações”.
APIAM PARTICIPA DA ASSEMBLEIA ELETIVA DOS POVOS INDÍGENAS DA CALHA DO JURUÁ

Entre os dias 17 e 19 de fevereiro, a Aldeia Morada Nova, localizada no Rio Xeruã, município de Itamarati, foi palco da Assembleia Eletiva da Organização dos Povos Indígenas da Calha do Juruá (OPIJU). O encontro reuniu lideranças, representantes comunitários e parceiros institucionais para três dias de debates e deliberações fundamentais para o fortalecimento da organização e dos povos da região. A programação incluiu planejamento participativo, prestação de contas, mostra dos projetos executados e a eleição da nova diretoria e do conselho fiscal, reafirmando o compromisso da OPIJU com a transparência, a gestão coletiva e o protagonismo indígena. UNIÃO INSTITUCIONAL E FORTALECIMENTO REGIONAL A assembleia contou com a presença e o apoio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por meio da mediação jurídica conduzida pela Dra. Karol Tukano, que esteve à frente da organização legal do processo eletivo, assegurando legitimidade e conformidade aos trâmites da eleição. Renato Rodrigues Rocha, do Programa de Direitos Indígenas da Operação Amazônia Nativa (OPAN), também esteve presente e desempenhou o papel de presidente da Comissão Eleitoral durante assembleia e mediou a oficina de planejamento participativo. Também participaram do encontro Lennon Corezomaé, Coordenador-Geral da Coordenação-Geral de Promoção à Cidadania (CGPC) e Diretor substituto do Departamento de Promoção da Política Indigenista (DEPIN), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Dyego Henrique, consultor técnico do MPI, além do representante local da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). A presença das instituições reforçou o diálogo entre o movimento indígena e o Estado brasileiro, ampliando perspectivas de parceria e políticas públicas voltadas aos territórios da Calha do Juruá. A Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) também marcou presença, reafirmando seu compromisso com o fortalecimento das organizações de base e com a atuação articulada nos territórios. O coordenador secretário da APIAM, Eliomar Tukano, destacou a importância da participação da articulação no processo: “A APIAM tem o compromisso de estar presente nas regiões e nos territórios do Amazonas, fortalecendo as organizações de base e construindo caminhos de forma conjunta. Participar da assembleia da OPIJU é reafirmar nossa união e nosso trabalho coletivo em defesa dos direitos dos povos indígenas.” NOVA DIRETORIA ELEITA Como resultado do processo democrático conduzido durante a assembleia, foi eleita a nova coordenação executiva da OPIJU: Coordenação Executiva Marlene Kulina – Presidente Geral Umada Deni – Vice-Presidente Ahe Joabs Kanamari – Diretor Secretário Makara Kanamari – Diretor Tesoureiro Também foi eleito o novo Conselho Fiscal, composto por: Djavan Katawix – Presidente do Conselho Fiscal Wamaron Kanamari – Secretário do Conselho Fiscal Kaimo Kanamari – Membro do Conselho Fiscal Oberaci Kulina – Membro do Conselho Fiscal Mativi Deni – Membro do Conselho Fiscal A presidente eleita, Marlene Kulina, expressou sua emoção e compromisso com a missão assumida: “Recebo essa responsabilidade com muita felicidade e gratidão ao nosso povo pela confiança. Nosso objetivo é fortalecer ainda mais a OPIJU, ampliar os projetos nas comunidades e garantir que nossa organização continue defendendo nossos territórios, nossa cultura e nossos direitos. Vamos trabalhar com união e compromisso pelo futuro dos nossos povos.” FORTALECIMENTO DA LUTA E DO TRABALHO CONJUNTO A Assembleia Eletiva da OPIJU reafirma a importância da organização coletiva na Calha do Juruá, fortalecendo a governança indígena e a autonomia dos povos da região. A presença da APIAM demonstra o compromisso permanente da articulação em estar próxima das bases, promovendo união, diálogo e trabalho conjunto em todo o estado do Amazonas. O fortalecimento regional passa pela participação ativa das organizações, pela transparência na gestão e pela construção coletiva de estratégias. A assembleia mostrou que, quando há união entre lideranças, comunidades e parceiros institucionais, os povos indígenas seguem avançando na defesa de seus direitos e na consolidação de suas organizações.